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O que é uma boa distribuição?

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Escrito por André Ferreira Machado   
06-Dez-2007
Índice de Artigos
O que é uma boa distribuição?
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Linux
Linux
O número de distribuições GNU/Linux vêm crescendo cada vez mais em nosso país. Será que essas distribuições são adequadas ao público que se destinam? Como podemos reconhecer e desenvolver uma distribuição com qualidade? Será que o ciclo de desenvolvimento é apenas seguir scripts já prontos? Atualmente, é grande o número de distribuições GNU/Linux sendo criadas em nosso país. A maioria delas, live-cds baseadas no Debian ou Kurumin. Embora muitos defendam que isso é um claro efeito da Liberdade, isso não é um consenso.

Um breve cronograma


A primeira grande distribuição do Brasil chamava-se Conectiva. Hoje, ela é o que chamamos de Mandriva mas, na época, era um sistema baseado no Red Hat. Sua primeira versão foi lançada contemporâneamente ao Windows 95. Diferentemente de distribuições como Kurumin, o Conectiva tinha o foco empresarial, ou seja, era um sistema completo. Para instalá-lo, seria necessário que a pessoa, numa época em que as placas de vídeo mais avançadas eram fabricadas pela Trident, já conhecesse conceitos de particionamento e formatação de discos. Se, hoje, devido ao HAL, podemos plugar um dispositivo e ele sair funcionando no seu sistema GNU/Linux, naquele tempo não era assim, e a pessoa tinha, também, que saber configurar hardwares e, em certos casos, até mesmo IRQs, para que um item funcionasse no Linux. Sem falar que, naquela época, não existiam KDE nem GNOME.

Assim, você pode concluir que, na década de 90, quando os micros mais velozes tinham clocks de 500 MHz e 64 MB de RAM eram mais do que suficientes para qualquer coisa, o GNU/Linux, ao menos em nosso país, era muito restrito e usado por aqueles que realmente queriam aprender uma coisa nova e tinham um conhecimento avançado de hardware e software. Muitas pessoas daquela época - assim como muitas pessoas de hoje - não trocariam a comodidade do NNF oferecido pelo Windows pelo prazer de usufruir de um sistema que poderia ficar exatamente do jeito que você quer.

Até o início da década de 2000, todas as distribuições eram praticamente assim: quer usar, instale. E para instalar, você tem que saber como particionar e formatar um HD corretamente. No Brasil, você tinha praticamente duas opções: ou usar Conectiva, que já vem todo em Português, ou uma distribuição estrangeira, onde você encontrará, inevitavelmente, algum programa ou explicação - senão o sistema inteiro - em Inglês. Então, um alemão, chamado Klaus Knopper, descobriu uma maneira de "enganar" o kernel, fazendo que o sistema pensasse que um cd, com sistema de arquivos ISO9660, fosse visto como sistema ext2. Assim, Knopper descobriu uma forma do sistema ser usado diretamente do CD, sem a necessidade de instalação em um disco rígido. À sua distribuição, Knopper chamou Knoppix.

E o Knoppix foi uma revolução, pois possibilitava que iniciantes no mundo GNU/Linux pudessem usufruir do sistema sem muita cerimônia. Eu não precisava mais saber o que era uma partição ou sistema de arquivos, eu simplesmente poderia colocar o cd no drive e sair usando o sistema! Isso foi algo fantástico, algo que o Windows não podia - e não pode - oferecer.

Aqui no Brasil, Carlos E. Morimoto, autor do Guia do Hardware, estava procurando uma maneira de divulgar os artigos do seu site. Então, ele descobriu o Knoppix e castrou-o, tirando tudo que não achava necessário, colocando os artigos do Guia na distribuição possibilitando, assim, que os artigos pudessem ser lidos inclusive em máquinas sem sistema operacional. Ele anunciou sua nova distribuição no Guia e houve um feedback: em poucos meses, o sistema, agora batizado de Kurumin, teria uma nova versão e abriria as portas do mundo GNU/Linux para pessoas que nunca tiveram uma experiência com esse sistema. Diferente do Knoppix, que é apenas um sistema live-cd, o Kurumin é praticamente uma aula, com assistentes que explicam detalhadamente, em linguagem simples, o que está acontecendo e o que o usuário deve fazer. Dessa forma, o usuário não usa Linux; ele aprende Linux. Em pouco mais de um ano, o Kurumin alcançara a popularidade e a facilidade de uso que o Conectiva jamais tivera.

Como manda o figurino, Morimoto incluiu, em sua distribuição, instruções sobre como personalizar o cd e criar seu próprio sistema. Foi aí que o sonho se transformou num pesadelo. Em pouco tempo, o número de distribuições nacionais cresceu em mais de mil por cento! Alguém achou que o Kurumin, na época um sistema de apenas 200 MB, era muito "pelado" e resolveu enchê-lo de programas legais criando, assim, o Kalango; outro, achou que ele era muito pesado para máquinas antigas e criou a Dizinha; um achou que aquilo seria uma boa opção para servidores e criou o Tupi Server, todas distribuições baseadas no Kurumin, que são baseadas no Knoppix, que é baseado no Debian.

Evidentemente, os usuários mais avançados do sistema logo passaram a criticar esses novos sistemas. Pessoas que vão no FISL não usam Kurumin, um sistema que, para eles, possuí muitos erros, se quebra ao ser atualizado e faz tudo para o usuário, impedindo-o de aprender, realmente, a usar o verdadeiro sistema. Havia uma frase famosa que dizia: “Usando Red Hat, você aprende a usar Red Hat; usando Slackware, você aprende a usar Linux”. Esses usuários, com toda a certeza, podem trocar o nome da distribuição para Kurumin e a frase continuará correta.




 
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